“Reabilitação depende mais do paciente do que do fisioterapeuta”

Levar mais qualidade de vida a quem está em fase de reabilitação é a grande responsabilidade do fisioterapeuta. Seus pacientes, geralmente, possuem doenças geradas por alterações genéticas, traumas ou enfermidades adquiridas.

Para entender um pouco mais deste universo, conversei com a fisioterapeuta Tatiana Valpereiro Lodovici Della Santa. Especializada em Reabilitação Neurológica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atualmente ela trabalha em um conceituado hospital da capital paulista. Já são mais de 10 anos de carreira e muitas histórias pra contar.

A maior dificuldade, segundo Tatiana, é fazer o paciente entender que a reabilitação depende mais dele do que do profissional. “O meu papel como fisioterapeuta é mais orientar e corrigir os movimentos. Quem tem que realizar é o paciente”, explica.

Confira a entrevista completa:

Revista Dedicar: Quais são os principais casos atendidos dentro de sua especialidade?
Tatiana Della Santa:  AVC, Parkinson, Guillain Barre, TCE (Traumatismo cranioencefálico), lesão medular, tumores no sistema nervoso central e hemorragia subaracnoidea.

Revista Dedicar: Como os pacientes encaram a deficiência adquirida? É verdade que alguns se revoltam e dificultam o andamento das sessões?
Tatiana Della Santa: No início eu diria que a emoção mais predominante é a tristeza seguida da preocupação de como vai ficar. Nunca vi se revoltarem, mas já vi muitos desistirem. Eles até aceitam fazer a fisioterapia, mas não cooperam ou fazem “corpo mole”.

Revista Dedicar: Quais as principais queixas dos pacientes?
Tatiana Della Santa: A principal queixa é o tempo que leva para alcançar os objetivos da terapia.

Revista Dedicar: Quantas sessões em média são necessárias para o tratamento efetivo?
Tatiana Della Santa: Não tenho como dizer, pois além das patologias serem muito diferentes entre si e, mesmo dentro de uma patologia só, não tem como saber quais serão as sequelas e depende muito de como o corpo da pessoa vai reagir.

Revista Dedicar: Você atende pacientes de todas as idades?
Tatiana Della Santa: Sim, mas por conta do hospital atendo mais pacientes adultos.

Revista Dedicar: A fisioterapia é uma realidade distante na saúde pública, sendo atribuída apenas aos casos mais graves?
Tatiana Della Santa: Acredito que a fisioterapia de qualidade não está longe somente do SUS, pois muita gente que depende de plano de saúde também tem atendimentos em lugares lotados e com pouca qualidade devido ao valor que o convênio paga aos fisioterapeutas. Tem lugares que pagam de R$2,50 a R$6,50 por atendimento. No SUS ainda tem grandes instituições, como AACD, Lucy Montoro, Lar Escola São Francisco… mas, lógico, que não tem como o atendimento abranger todos e muitos ficam sem reabilitação.

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