No mundo nascem aproximadamente 15 milhões de prematuros todo ano, o que representa média de 10% do total de nascimentos. E cada vez mais é comum conhecer alguém que tenha passado por isso. Maria Anísia Gama Gonçalves, de 30 anos, falou de sua experiência e como sua história pode ajudar outras famílias.
Em 2012 ela deu à luz a sua primeira filha, que nasceu de 31 semanas, de parto normal. Prematura, com 1.570kg, a bebê nasceu saudável. Como os pulmões são os últimos órgãos que se desenvolvem, precisou de atenção médica especial na unidade de cuidados intensivos neonatal.
Ainda no hospital, quatro dias após sair do oxigênio, Maria contou que sua filha parou de respirar por alguns segundos. Lembra que, na época, chegou a ouvir de uma médica que era comum isso acontecer em bebês prematuros, explicando que o grau 1 não deixava sequelas, enquanto o grau 2 poderia comprometer a fala ou andar. Ao todo, foram 27 dias na unidade neonatal de uma maternidade da região de São Paulo/SP.
Com o tempo, Maria e seu esposo foram percebendo que sua filha não se movimentava como outro bebê da mesma idade. Isso fez com que eles procurassem outro médico, que confirmou a paralisia cerebral. “A parada respiratória afetou a coordenação motora. Hoje, aos sete anos, ela fala normal, escreve com alguma dificuldade, especialmente quando se trata das letras S, C e o G. Faz acompanhamento com equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, psicólogo e terapeuta ocupacional) desde 1 ano de idade, além de praticar atividades como Equoterapia, por exemplo. Minha filha é muito inteligente e está se desenvolvendo muito bem”, afirma.
Há um ano, Maria conseguiu vaga para sua filha no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, localizado próximo da Avenida Giovanni Gronchi. Lá eles têm ajudado muito, inclusive com toda parte de assistência, como órteses, andador e cadeira de rodas). “Antes eu precisava pegar emprestado ou até mesmo comprar. Agora não mais”.
Outra conquista, segundo Maria, é ter conseguido com muita luta uma cuidadora para acompanhar sua filha na escola. É muito difícil uma professora cuidar de 30 alunos sozinha e agora fico mais tranquila, e os amiguinhos da escola gostam da minha filha, querem cuidar dela”, finaliza.

“É importante deixar a criança ser criança e ajudá-la a ser independente dentro de suas limitações. Ter um local como o Lucy Montoro é determinante, porque os profissionais ajudam nas orientações, além de apoiar as famílias”, Maria Anísia Gama Gonçalves.
