Mais do que amigas

Foi a paralisia cerebral (PC) que deixou a filha da costureira Maria de Fátima Barbosa, 63, na cadeira de rodas. Taíse, hoje com 32 anos, passou da hora de nascer, segundo informou sua mãe. Além da deficiência física, ela também não fala, mas consegue se comunicar do seu jeito.

Fátima lembra que, após o parto, nem desconfiou que algo tivesse acontecido com sua filha. Meses depois foi notando algumas dificuldades no desenvolvimento dela e resolveu procurar ajuda médica. Por alguns anos, a jovem foi acompanhada no Hospital das Clínicas, sendo encaminhada posteriormente à AACD para seguir com o tratamento de reabilitação.

Fotos: Arquivo Pessoal

Maria Fátima é solteira e mora com a Taíse na zona sul de São Paulo. Sabe da importância da filha estar acompanhada de uma equipe multidisciplinar para o bom andamento de seu tratamento. E como não é fácil sair de casa com a filha, ela disse que está cadastrada em um programa do SUS, no qual profissionais vão até a casa do paciente e realizam um conjunto de ações voltadas à prevenção, tratamento de doenças e reabilitação. “É muito bom esse acompanhamento. Eles medem a pressão, tiram sangue.”

Sozinha para bancar as despesas, Fátima precisa trabalhar costurando em casa pra complementar a ajuda que recebe do governo. “Às vezes o dinheiro não sobra: contas como aluguel, água, luz, supermercado, remédios chegam todo mês. Já passei necessidade, e não quero passar por isso de novo.”

Isso explica, de acordo com ela, a filha permanecer mais tempo em casa, porque neste momento preciso trabalhar para que não falte nada. E agora nós vamos continuar em casa mais do que nunca por conta do coronavírus. Enquanto isso, Taíse vai se distraindo na internet e andando de cadeira de rodas pela casa. O espaço é pequeno, mas ela não se importa. Eu faço tudo por ela”.

Maria de Fátima dividiu com a gente uma história muito bacana: há algum tempo ela e a filha conheceram um casal em um evento no Parque do Ibirapuera. Eles gostaram tanto da Taíse, que se ofereceram a pagar as sessões de fisioterapia dela. Justamente em um momento que ela precisava. E até hoje vai uma profissional na casa de Taíse, uma vez por semana. Por conta do covid-19 está suspenso, mas se Deus quiser tudo voltará ao normal. Deus é maravilhoso e a Taíse tem muita sorte”, finaliza.

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