Aline Aparecida Messias conversou com a Revista Dedicar para contar um pouco sobre sua história – ela nasceu com paralisia cerebral e afirma ter uma vida normal e feliz

Confira a seguir a entrevista completa:
Revista Dedicar: O que você sabe sobre a sua paralisia cerebral?
Aline Messias: Meus pais me contaram que os médicos insistiam para que o parto de minha mãe fosse normal, no entanto, passou da hora e – devido à falta de oxigênio – tive paralisia cerebral, o que afetou a parte motora. Meus pais desconfiaram que havia algo estranho comigo aos sete meses – eu não sentava, sempre muito molinha acharam melhor procurar um médico.
Revista Dedicar: E como foi sua vida desde então?
Aline Messias: Eu falei com quase dois anos. Ao seis, andei pela primeira vez, graças ao incentivo dos meus pais e o acompanhamento diário da fonoaudióloga e fisioterapeuta no Sesi Ipiranga. Fui para escola particular, porque na época as públicas não aceitavam alunos com deficiência, o que até hoje não entendo o motivo. A convivência com as crianças nem sempre foi fácil, às vezes xingavam, mas a conversa sempre me ajudou a resolver qualquer problema. Sempre tive a sorte de ter ao lado pessoas que me ajudaram bastante, pessoas boas.
Revista Dedicar: Você precisou passar por algum procedimento cirúrgico?
Aline Messias: Nesses 27 anos, passei por duas cirurgias; aos 12 anos operei a perna direita (quadril). Seis anos depois, operei o pé direito.
Revista Dedicar: A paralisia cerebral te impediu de realizar algum sonho?
Aline Messias: Não, de forma alguma. Sou formada em Administração de Empresas e prestes a concluir minha pós-graduação em Comunicação e Mídias Digitais.
Revista Dedicar: E você trabalha atualmente?
Aline Messias: Há quatro anos faço parte do time de colaboradores da Natura na função analista de Marketing. Mas, essa não foi a única experiência profissional, antes trabalhei como recepcionista na FIESP. Infelizmente, a deficiência ainda é um problema para muitas empresas, minimizando espaço dessas pessoas.
Revista Dedicar: Além da sua família, de quem mais você obteve incentivo?
Aline Messias: Meus pais e meu irmão foram e sempre serão determinantes para cada passo da minha vida. Além deles, há seis anos tenho ao meu lado um homem especial, namorado e futuro marido. Vamos nos casar em outubro desse ano. É engraçado como as pessoas acham que o fato de eu ter deficiência preciso namorar alguém igual. Não sei se é falta de informação e ou se é preconceito mesmo. Fato é que meu noivo não tem deficiência alguma e a gente se completa.
Revista Dedicar: O que você diria às pessoas com deficiência?
Aline Messias: Todo mundo, independente de ter ou não deficiência, tem alguma limitação. No meu caso, busquei sempre conquistar minha independência. Pra conseguir andar precisei me dedicar e isso serve pra tudo na vida. Se caísse, meus pais me incentivavam a levantar. Comia sozinha, me virava aos pouquinhos. Não é legal ter sempre alguém fazendo algo para gente – essa foi mais uma lição aprendida com meus pais. Quero meu espaço, afinal, fui criada para o mundo.
Revista Dedicar: E o que faz para incentivá-los?
Aline Messias: Criei o canal “Viver a Vida” no Youtube, com o objetivo de ajudar pessoas que passaram ou passam pela mesma situação que eu. É importante frisar que é possível fazer tudo, basta querer. Aos fins de semana também sou voluntária como coordenadora de grupo de jovens na igreja católica que frequento.
